Presidente da ASPE foi inquirida pela Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM



20 de março de 2026

A Presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), Enf.ª Lúcia Leite, foi ouvida, por escrito, no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).


Este pedido de inquirição, dirigido pela Assembleia da República, reconhece a relevância da ASPE enquanto representante dos enfermeiros e interlocutor ativo nas matérias relacionadas com o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) em Portugal.

Um contributo fundamentado e responsável


No seu depoimento escrito, a Enfª Lúcia Leite, mandatada pela Direção para o efeito, apresentou uma análise sustentada na experiência acumulada e no acompanhamento contínuo, pelos seus órgãos nacionais e regionais, das condições de trabalho e realidade vivida pelos enfermeiros no INEM.

Genericamente, em resposta às 51 perguntas formuladas pelos Grupos Parlamentares do CHEGA, IL, PSD, PS, LIVRE considerou-se que:


  • a capacidade de resposta do INEM se degradou de forma progressiva em resultado do défice de profissionais, em particular de enfermeiros, verificado ao longo dos últimos anos;


  • falta de enfermeiros é um dos fatores que compromete diretamente a operacionalidade de diversos meios de emergência, designadamente nas ambulâncias SIV, nos CODU e noutros dispositivos críticos do sistema;


  • para suprir esta carência, foi normalizado o recurso a horas suplementares, prática que permitiu mascarar parcialmente a real perda de capacidade instalada e evitar que as limitações fossem ainda mais visíveis para a população;


  • aumento do número de enfermeiros no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) torna-se imperativo, mas, sobretudo, que estes profissionais tenham liberdade para exercer plenamente as suas competências e potencial de decisão, ao invés de os manter como “executantes de algoritmos”;


  • a disfuncionalidade do SIEM é evidente a três grandes níveis: falta de planeamento estratégico, falta de recursos humanos devidamente integrados e falta de respostas céleres e articuladas. O que deveria ser uma engrenagem afinada transformou-se, ao longo dos anos, num conjunto de soluções avulsas - frequentemente reativas e não estruturadas - que não resolvem o problema de fundo. A emergência pré-hospitalar não pode continuar a ser gerida em “modo de sobrevivência permanente”;


  • seria pertinente alargar a rede de ambulâncias SIV, assegurar o cumprimento do Despacho 13562/2024, de 15 de novembro, integrando plenamente as competências dos enfermeiros nos CODU, melhorar a comunicação entre os parceiros do SIEM;


  • o modelo de formação atualmente implementado no INEM não responde totalmente às necessidades atuais;


  • a atualização de protocolos é demorada, verificando-se um atraso longo entre a publicação de recomendações mais atualizadas (como as orientações do European Resuscitation Council) e a atualização dos materiais pedagógicos do INEM;


  • a melhoria do modelo de triagem exige não apenas ajustamentos técnicos, mas também condições organizacionais adequadas.


A ASPE considera que existiu e continua a existir risco assistencial evitável, em termos potenciais, associado às condições estruturais de funcionamento do INEM, designadamente à sobrecarga laboral dos profissionais.



Contudo, sem comprometer o regular funcionamento das instituições, a ASPE procurou contribuir de forma construtiva para o apuramento dos factos e para a melhoria do sistema.

Compromisso com a melhoria do sistema


ASPE defende a aplicação de um modelo pré-hospitalar mais integrado, que, para além de mais meios, inclua igualmente mais enfermeiros nestes veículos, possibilitando procedimentos no momento do socorro, evitando o transporte desnecessário para unidades hospitalares. Esta integração deve ser acompanhada por um redimensionamento adequado dos quadros de enfermeiros, condição indispensável para reduzir a dependência de horas extraordinárias e garantir segurança e previsibilidade no funcionamento do INEM.


A participação por escrito da Presidente da ASPE nesta Comissão Parlamentar de Inquérito, advém do respeito que este sindicato tem conquistados junto dos órgãos de soberania e do reconhecimento público do seu papel ativo na defesa dos profissionais, trabalho consistente e fundamentado com vista a contribuir para um sistema de emergência médica mais eficiente, seguro e centrado nas necessidades da população.



A ASPE mantém o seu compromisso de colaborar com todas as entidades institucionais, contribuindo com propostas e reflexões que visem a melhoria contínua da resposta em saúde.

Juntos Construímos o Futuro!