Lisbon Health Talks 2026: ASPE marca presença em encontro dedicado aos desafios da saúde e longevidade
21 de maio de 2026
A ASPE esteve representada nas Lisbon Health Talks 2026, que decorreu no passado dia 21 de maio, na Universidade Europeia, em Lisboa. O evento, promovido pelo Fórum Saúde XXI em parceria com a Universidade Europeia, reuniu especialistas, académicos, profissionais de saúde e decisores políticos para debater os grandes desafios do envelhecimento da população e do futuro do sistema de saúde em Portugal.
Sob o mote “Viver mais, viver melhor e viver com saúde”, os diferentes painéis refletiram sobre a necessidade de uma abordagem mais integrada, preventiva e humanizada da saúde, centrada não apenas na ausência de doença, mas também na qualidade de vida e no bem-estar da população.
Um dos momentos de destaque foi a palestra do Professor Alexandre Quintanilha, dedicada aos desafios do envelhecimento e à importância de repensar o tempo, a longevidade e o papel da ciência biomédica na construção de sociedades mais saudáveis e sustentáveis.
A ASPE fez-se representar pela Conselheira Nacional Maria Guimarães e pelo Delegado Sindical Paulo Marques (ULS de Lisboa Ocidente, E.P.E.).
Prescrição social em debate
Entre os painéis acompanhados pela representação da ASPE destacou-se a sessão “Prescrição Social: o que é necessário para vencer a inércia?”, moderada por Raul Azevedo, do European Longevity Hub. O debate incidiu sobre o papel crescente da prescrição social enquanto resposta complementar aos cuidados de saúde tradicionais, promovendo a integração entre saúde, atividade física, apoio social e literacia em saúde. A Professora Doutora Sónia Dias, Presidente da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da NOVA, sublinhou que a prescrição social, implementada em Portugal desde 2016 em projetos-piloto, representa uma mudança cultural profunda, exigindo maior articulação entre o setor da saúde e o setor social. A responsável destacou ainda o trabalho desenvolvido pela ENSP através da criação de um Centro de Conhecimento sobre Prescrição Social e de um manual de apoio a iniciativas nesta área.
Ao longo da sessão foram igualmente identificados vários desafios estruturais, nomeadamente:
· a fragmentação do sistema;
· a necessidade de interoperabilidade entre entidades;
· a importância da evidência científica;
· o financiamento sustentável;
· e a integração de diferentes profissionais e áreas do conhecimento.
Os intervenientes defenderam que a construção da saúde não pode acontecer exclusivamente dentro do Sistema Nacional de Saúde, exigindo respostas articuladas entre instituições públicas, setor social, autarquias e comunidade.
Obesidade e envelhecimento saudável
Outro dos temas em destaque foi o painel “Viver mais, viver melhor: obesidade, um desafio para todos”, centrado na obesidade enquanto desafio prioritário de saúde pública. Foram discutidas estratégias de prevenção, acompanhamento multidisciplinar e a necessidade de transformar investigação científica em respostas concretas e acessíveis à população.
Entre os aspetos abordados esteve o estudo das vesículas extracelulares para compreender as diferentes respostas dos doentes com obesidade aos mesmos tratamentos, reforçando a importância de uma medicina cada vez mais personalizada e orientada para a precisão clínica.
A participação da ASPE neste encontro permitiu acompanhar de perto reflexões estratégicas sobre o futuro da saúde em Portugal, particularmente no domínio da prevenção, da integração de cuidados e das políticas públicas orientadas para o envelhecimento saudável. Uma espécie de laboratório vivo onde ideias, ciência e políticas públicas tentaram deixar de andar em corredores paralelos para finalmente partilharem a mesma ponte.
