“Grande Conferência da Hospitalização Domiciliária”: a revolução silenciosa dos cuidados de saúde



20 de janeiro de 2026

Decorreu no dia 20 de janeiro a Grande Conferência da Hospitalização Domiciliária, organizada pela AESE Business School no seu campus de Lisboa. Ao longo de cerca de cinco horas foram debatidos indicadores da hospitalização domiciliária, a realidade portuguesa e debatidas possíveis soluções para aumentar os atuais níveis da hospitalização domiciliária em Portugal.


Em duas mesas redondas foi discutida a “Saúde em Casa”, tendo abordados os principais desafios a este tipo de hospitalização, bem como num segundo momento quais as principais “Condições para a Mudança”.

Ainda no início do evento, o Dr. Pedro Azevedo, Presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS), explanou como é que a hospitalização domiciliária (HD) ​​é uma alternativa real, segura e eficaz ao internamento convencional, centrada na pessoa, na sua casa e na sua rede de apoio.


A abertura do evento, que teve início pelas 14h15, foi feita pelo Prof. José Fonseca Pires, diretor da AESE Business School, tendo terminado com uma intervenção do Secretário de Estado da Gestão da Saúde, Francisco Rocha Gonçalves, que enlaçou a estratégia do Governo nesta abordagem em Saúde com aquelas que, a seu ver, são as três condições críticas para consolidar o modelo.


A ASPE fez-se representar pela Vice-Presidente do Conselho Nacional, Enf.ª Maria Guimarães, e pelo Conselheiro Nacional pelo distrito de Lisboa, Enf. Ricardo Rio.


Programa do evento

Métricas e Eficácia da HD pelo Dr. Pedro Azevedo (ULSAS)


O atual Presidente do Conselho de Administração da ULSAS defendeu a hospitalização domiciliária como uma alternativa segura, eficaz e humanizada ao internamento hospitalar convencional, representando uma mudança estrutural na forma de prestar cuidados de saúde.


De acordo com Pedro Azevedo, nesta abordagem o hospital deixa de ser entendido apenas como um espaço físico e passa a ser uma função que pode ser assegurada no domicílio, promovendo maior envolvimento do doente e da família no processo terapêutico.


Quanto aos benefícios deste tipo de cuidados de saúde, Pedro Azevedo frisou a redução de complicações e infeções e a maior satisfação dos doentes e profissionais de saúde, bem como uma poupança significativa dos recursos financeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS): segundo este, ao longo de 10 anos o SNS viu reduzidos os custos com os doentes em 55 milhões de euros, devido à hospitalização domiciliária.


Num contexto de envelhecimento da população, multimorbilidade e pressão sobre os serviços de urgência, acrescenta que a hospitalização domiciliária reiterou que esta surge como uma resposta aos desafios persistentes, permitindo uma melhor gestão dos recursos humanos e do fluxo hospitalar, trata-se de um verdadeiro internamento em casa, assente em equipas multidisciplinares e em protocolos clínicos rigorosos.


Mesa Redonda: Como articular a “Saúde em casa” ?


Esta mesa redonda, moderada pela Enfermeira e Professora da AESE Cátia Sá Guerreiro, contou com a participação do coordenador nacional da Hospitalização Domiciliária do SNS Dr. Pedro Gameiro, que falou sobre a sua experiência na Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULSAALE), com o Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), Dr. António Oliveira e Silva, e ainda com o Dr. Carlos Bibiano, que falou sobre a sua experiência no Hospital Universitario Infanta Leonor, em Madrid.


Foi destacada pelos oradores que esta é uma resposta estratégica e estruturante do sistema de saúde, que deve ser encarada como uma extensão do internamento hospitalar e não como um modelo secundário. A medicina interna foi sublinhada como pilar central e transversal, essencial ao funcionamento do hospital e à articulação entre especialidades, sendo o sucesso deste modelo fortemente dependente da diferenciação e envolvimento dos profissionais.


Foi ainda evidenciada a necessidade de uma expansão equitativa a nível nacional, uma vez que persistem desigualdades territoriais no acesso a este tipo de cuidados. O Dr. Pedro Gameiro vincou que a implementação deve respeitar a realidade de cada região e assentar em três eixos fundamentais: inovação, diferenciação e expansão, apoiados na partilha de experiências bem-sucedidas que incentivem outras unidades a avançar, acrescentando a ideia de que estabelecer cuidados de saúde, ainda que digitalmente, é mais humano do que não estabelecer qualquer contacto, pela recusa do uso de dispositivos digitais.


O Dr. Carlos Bibiano reforçou que a tecnologia surge como um meio ao serviço da qualidade e da confiança, permitindo melhor seleção de doentes, acompanhamento clínico e comunicação entre equipas, sem substituir a relação humana.


Também o Dr. António Oliveira e Silva identificou desafios relevantes, sobretudo ao nível dos recursos humanos, reforçando-se que a avaliação do modelo deve incluir ganhos em saúde, satisfação dos doentes, famílias e profissionais, e não apenas indicadores económicos ou de produção.

Mesa Redonda: Há “Condições para a mudança” ?


A primeira mesa redonda da tarde, moderada pelo Prof. José Fonseca Pires, contou com a presença da Dr.ª Micaela Seemann, atualmente em funções na Transformação Digital da CUF, do Presidente do Conselho de Administração da ULS Cova da Beira, João Marques Gomes, e da Presidente da Portuguese Association for Integrated Care (PAfIC), Dr.ª Adelaide Belo.


Nesta mesa redonda foi discutido como este modelo como uma opção estratégica de futuro, integrada numa visão nacional centrada na qualidade, segurança e sustentabilidade dos cuidados de saúde.


A apresentação destacou a importância da tecnologia como ferramenta de apoio aos cuidados prestados, no entanto, ficou claro que transformação digital não é apenas “passar para o digital” o que já existe, mas sim repensar fluxos, processos e modelos assistenciais, garantindo que a tecnologia reforça a segurança, a eficiência e, sobretudo, a confiança.



Foi ainda apresentado manter os mesmos princípios clínicos: segurança, rigor, proximidade e continuidade de cuidados, bem como detalhado que a confiança na hospitalização domiciliária se constrói tanto na experiência do doente e da família como no suporte e preparação dos profissionais.


Os três oradores concordaram que a hospitalização domiciliária contribui para uma melhor qualidade de vida dos doentes, para a redução das taxas de infeções hospitalares, e consequentemente para uma maior satisfação dos doentes e das suas famílias.

A estratégia governamental está alinhada com esta realidade? A resposta pelo Secretário de Estado da Gestão da Saúde


O atual Secretário de Estado da Gestão da Saúde, Francisco Rocha Gonçalves, reforçou a hospitalização domiciliária como uma resposta estruturante e consolidada do sistema de saúde, salientando que o hospital é definido pelas equipas, métodos e rigor clínico, e não apenas por um edifício físico.


O Secretário de Estado encara este modelo como uma resposta eficaz aos desafios do envelhecimento da população, da pressão sobre a capacidade hospitalar e da necessidade de cuidados mais próximos, dignos e humanizados, sem comprometer a segurança ou a qualidade clínica.


Defendeu ainda que a sua consolidação depende de três condições-chave: a transformação digital, a medição de resultados e o envolvimento de equipas multidisciplinares, devendo afirmar-se como uma componente estrutural dos cuidados de saúde no século XXI.


Francisco Rocha Gonçalves defendeu ainda que a hospitalização domiciliária está alinhada com a estratégia governamental de cuidados mais acessíveis, integrados e centrados nas pessoas, a hospitalização domiciliária demonstra valor clínico, humano e económico, traduzido em melhores resultados, maior conforto dos doentes e ganhos de eficiência para o SNS.


AESE como parceira da ASPE


A AESE Business School e a ASPE – Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros celebraram, em junho de 2024, um protocolo de colaboração que tem como principal objetivo reforçar a valorização e o desenvolvimento profissional dos enfermeiros. Esta parceria assenta na convicção de que os profissionais de enfermagem desempenham um papel cada vez mais relevante não só na prestação de cuidados, mas também na organização, gestão e liderança das instituições de saúde.


No âmbito deste acordo, os associados da ASPE passam a ter acesso a programas de formação executiva da AESE em condições especiais, nomeadamente em áreas como gestão, liderança e direção de organizações de saúde. Destacam-se formações orientadas para a tomada de decisão estratégica e para o exercício de funções de coordenação e gestão, como é exemplo disso o PADIS - Programa de Alta Direção de Instituições de Saúde, beneficiando os associados da ASPE de um desconto de 5% no valor da formação.


Ao aproximar o mundo da gestão e da formação executiva da realidade da enfermagem, a ASPE e a AESE afirmam uma visão de futuro que aposta em profissionais mais preparados, capacitados e com maior impacto nas organizações onde atuam.


Esta parceria representa um passo estratégico na promoção do crescimento profissional dos enfermeiros e no reconhecimento do seu contributo para a sustentabilidade do sistema de saúde.



Juntos Construímos o Futuro!