Enfermeiros, condições de trabalho e futuro da profissão: A ASPE no “Sociedade Civil”
28 de janeiro de 2026
A Presidente da ASPE, Lúcia Leite, participou dia 26 de janeiro no programa Sociedade Civil, da RTP2, levando ao debate público algumas das principais preocupações que marcam atualmente a realidade da enfermagem em Portugal.
Durante a sua intervenção, Lúcia Leite destacou, desde logo, o impacto das condições de trabalho na vida profissional e pessoal dos enfermeiros, nomeadamente a sobrecarga de horários, a escassez de enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a exigência constante a que estes profissionais estão sujeitos. Estes foram apontados como os principais fatores que atualmente contribuem para o desgaste físico e emocional da classe, com reflexos diretos na qualidade e segurança dos cuidados prestados.
Outro dos temas centrais abordados foi a valorização da carreira de enfermagem. Lúcia Leite sublinhou que o reconhecimento dos enfermeiros não pode ficar apenas no plano simbólico, defendendo a necessidade de progressões de carreira justas, estabilidade profissional e salários condizentes com o nível de responsabilidade e qualificação exigidos em cada categoria. Sem estas condições, alertou, torna-se difícil reter profissionais no SNS.
A questão da emigração de enfermeiros mereceu também destaque. A Presidente da ASPE chamou a atenção para o número crescente de profissionais que procuram no estrangeiro aquilo que não encontram em Portugal: melhores condições de trabalho, perspetivas de progressão na carreira e reconhecimento profissional. Um fenómeno que, segundo referiu, representa uma perda significativa de investimento público e fragiliza ainda mais o sistema de saúde nacional, com pelo menos metade dos enfermeiros formados anualmente em Portugal, cerca de 1500, a pedirem a respetiva documentação para emigrar - só em 2023, mais de 1600 Enfermeiros saíram de Portugal, segundo dados da Ordem dos Enfermeiros.
No programa, foi igualmente salientada a importância do diálogo social e da participação ativa das estruturas representativas dos enfermeiros na definição de políticas de saúde. Para a presidente da ASPE, ouvir quem está no terreno é essencial para construir soluções eficazes e sustentáveis, evitando decisões desconectadas da realidade dos serviços.
A intervenção terminou com uma nota clara: cuidar de quem cuida é uma condição indispensável para garantir um sistema de saúde robusto e preparado para o futuro. Mais do que um problema corporativo, as dificuldades vividas pelos enfermeiros refletem-se em toda a sociedade, tornando este um debate que ultrapassa a profissão e convoca a responsabilidade coletiva.
Juntos Construímos o Futuro!
